segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Apropriação indébita II


"...Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira. Tal como Ares, aí vem F., muito mais alto que o mais alto dos homens.

(Todo o carinho, velho Mautner, que, anteriormente, em roupas menores, recitava seus poemas socialistas em louvor à URSS – Cristo entre as nações – pelas ruas do Rio de Janeiro.)

Por favor, seja feliz, feliz, feliz com sua linda S.. Isto é uma ordem. Sou a maior patente do quarteirão..."

Boo Boo F.


"A ordem será cumprida assim que possível."

F.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

... depois da margem


Dizem que depois da margem oposta tem mais.
Curioso. Curioso fico. Curioso volto.
Penso em castelos e princesas.
Penso em cobras e lagartos.
Penso na falta do pecado original.
Penso em sexo e prostitutas.
Penso no politicamente incorreto.
Penso na correção das faltas.
Penso na ausência do amor.
Penso no amor pela ausência.
E tudo deve ter lá, depois da margem oposta.
Me disseram que tem mais.
E, na verdade, eu sei que tem.
Penso em tudo o que posso ter.
Penso em tudo o que podem me dar.
Penso em dinheiro e posses.
Penso nas riquezas além de elevações.
Penso no espírito descarnado.
Penso no campo de álamos.
Penso em filas de vergamoteiras.
Penso em gomos ao sol.
Tudo isso deve ter do outro lado.
Me disseram que tem mais depois da margem.
A margem oposta.
Penso nas coisas que não faço.
Penso no que lá posso fazer.
Penso em tudo o que ocorre.
Penso no vinho, penso no cânhamo.
Penso na carne, penso no homem.
Penso que lá não é homem.
Penso que lá é fluido.
Penso que o fluido é mais corrente.
Penso que a corrente segue para o outro lado.
Penso em outra margem.
E sei que, depois dessa outra margem, tem mais.
Penso. Penso. Penso.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Algo temporal


- Muitos podem te amar mais do que eu... Mas não essa noite.

E ela, a meio caminho da porta, estacou.
Pensou um momento.
Virou-se, desabotoando a blusa. Sem sorrir.
Deitou-se mecanicamente na cama, o encarou e disse:

- Tudo bem. Então me ame.

E, de repente, a noite ficou longa demais.

domingo, 18 de julho de 2010

Apropriação indébita

No meio do caminho tinha um boteco
tinha um boteco no meio do caminho
tinha um boteco
no meio do caminho tinha um boteco.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de meu fígado tão fatigado.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um boteco
tinha um boteco no meio do caminho
no meio do caminho tinha um boteco.