terça-feira, 4 de março de 2008

O Bar do Aderbal - Apresentação

O Bar do Aderbal é um destes locais onde a gente se sente em casa. O cafezinho da manhã, o engasga-gato do meio-dia, o répiauer da tarde e a cachacinha no fim de noite, sempre no Aderbal. Aliás, a ida ao estabelecimento é tão corriqueira para uns, que esses chegam a chamar o local de escritório. Isso porque nas mesas desse pitoresco boteco são decididos desde divórcios a importantes acordos comerciais, conforme se contará mais adiante. Agora, para expor a magnitude do pequeno botequim, vamos destrinchá-lo em partes, contando um pouco de sua história e outros sucessos pertinentes ao bom nome construído por seu fundador.

LOCALIZAÇÃO

Situado na esquina da Rua Angenor de Oliveira com a Avenida Antônio Carlos Jobim, o bar não tem mais que trinta metros quadrados. Porém, mesmo com o diminuto espaço, seus clientes se sentem à vontade. Isso se explica pela hospitalidade do Aderbal e pela gama de bebidas oferecidas que, segundo Chica, o único garçom, é a maior da vizinhança.

REFERÊNCIAS

VISUAIS: A fachada é em estilo Barroco. No meio de duas volutas, bem no alto, fica o luminoso com o nome do local, o repetidamente mencionado Bar do Aderbal. Já o interior lembra os botecos da Lapa dos anos 50 e conta com duas mesas montáveis, além dos bancos altos em frente ao balcão.


OLFATIVAS: Todos conhecem o odor (ou olor, na pena do poeta) característico do bar. Os mais assíduos podem dizer até a hora, sem olhar no relógio, com uma única cafungada na frente do boteco, pois o cardápio varia conforme o passar do dia. Aos cidadãos comuns, digo que, ao passar junto à porta do Aderbal, o cheirinho de gordura é quase como um tapete vermelho, convidativo para uma boquinha. Penetrando o recinto, os aromas ficam mais marcantes. Oferece-se às narinas uma mistura de pinga com butiá, conserva de ovo com pepino, bife na chapa, café repassado, uísque de garrafão, peixe assado e algumas outras iguarias, tão odoríferas quanto saborosas. Peça uma tulipa de 500 e sinta a fragrância agridoce emergente da bolacha (onde se encontra a inscrição "Malt 90 – Cerveja Pilsen").


AUDITIVAS: Por se tratar de um estabelecimento de esquina, a poluição sonora pode incomodar os clientes instalados na calçada. Mas, como nem todo motorista é mal educado, pode-se manter um compreensível colóquio entre algumas buzinas e freadas. Dentro do lugar é diferente. Como as portas não são muito largas, as grossas paredes dão conta de bloquear a turbulência externa. Os poucos rumores que perpassam essa barreira, são abafados pela música ambiente proveniente do rádio Mullard de 3 válvulas, comprado especialmente para a Copa de 58, na Suécia. Porém, hoje, só sintoniza a rádio Caiçara, a preferida do Adeba.

ATENDIMENTO

Quem faz a “triagem” dos clientes é o Chica. Francisco Ermenegildo, o Chica, é o homem de confiança do Aderbal. É ele quem faz os pedidos, mexe no dinheiro e atende o público. Camisa para fora da calça de linho vincada, chinelo de dedos, canetinha atrás da orelha e bloco de anotações são as marcas registradas do visual do Chica. Mas não se engane! Apesar do jeito muitas vezes considerado desleixado de se vestir, ele é uma flor de educação e polimento. Para sair do sério, só se aparecer no bar aqueles que fingem ignorar o cartaz atrás do balcão onde está escrito claramente: “Fiado, só para maiores de 90 anos acompanhados de pai, mãe e um avô”.

O ADERBAL

O Adeba, como é carinhosamente chamado pelos assíduos do bar, começou com o negócio após se desiludir com o sistema. Uns dizem que foi depois que Falcão trocou o Internacional pelo Roma, outros vão mais além e dizem que o caso envolve uma história de traição que nunca foi bem resolvida. Seja lá qual for a versão, o resultado da incursão do Aderbal no mundo dos negócios foi um sucesso. Isso se deve à austeridade com que comanda o negócio. O fiado foi cortado há muito. Também já foi mencionado que seu braço-direito, o Chica, é zeloso na assistência administrativa. Além disso, o sorriso cativante a quem chega e a cerveja sempre gelada contribuem positivamente para a divulgação do melhor botequim da cidade, segundo seus satisfeitíssimos freqüentadores.

CAUSOS

Os próximos episódios deste simpático bar e os sucessos nele ocorridos serão entregues aos leitores nas próximas postagens.

3 comentários:

Andressa Boll disse...

Bah esse texto é muito bom mesmo né?
Tremendo escritor!
Beijos!!!!

fabricio disse...

Fabríco Fortes:che esse bar do Aderbal me deixou comovido e sedento de um trago vo tomar um gole e já volto, meu muito bom gostoso de ler adorei,ahahahaha

Humberto disse...

Muito bom o texto meu camarada. Precisamos achar um bar desse no Gravatão, pra tomarmos nossa BRAHMA e comer um ovo em conserva no vidrão de vinagre, retirado pelo próprio Aderbal, após cravar sua unha comprida do dedo mindinho no interior do ovo e puchá-lo para fora do vidro.