terça-feira, 11 de março de 2008

Carta a Ernst Ludwig Kirchner (In Memorian)

Olá, caro professor. Escrevo para parabenizá-lo pelo grande mestre e artista que foi. Ícone na Bauhaus, grande expressionista, criador e criatura de obras que, com peculiar sutileza, traduziram o sentimento de uma mente brilhante em traços decididos.
Como gostaria de ter tido tempo para pedir-lhe um pouco de paciência com os ignorantes do mundo. Esses, não passando de algozes de ocasião, agem agressivamente por despeito. Citam os esclerosados clássicos para menoscabar os de sua fina linhagem. Porém, isso não passa de uma autodefesa engendrada pelas dúvidas que possuem perante suas próprias convicções.
Sei que você prezava a razão, contudo, expor com inocentes, mesmo com a mordaz intenção vexatória de terceiros maliciosos, se configurou em uma oportunidade sem-par. Embora não tenha seguido o niilismo insurgente dos dadaístas, tampouco o delírio espontâneo dos surrealistas, creio que a imaculada criatividade dos que, pejorativamente, são chamados de retardados, poderia ter enchido seu peito de discrição e sua cabeça de idéias, se assim você permitisse.

Portanto, agora que os únicos resquícios de sua inspiração vital são as obras que imortalizou, resigno-me. Aos seus inimigos, não juro vingança. O próprio tempo será o juiz de seus infortúnios, mostrando para os acadêmicos que a arte é algo mutável e assim deve ser percebida. E, se concluírem que o vanguardismo é prejudicial ao futuro artístico, estarão sepultando a si próprios em vida, pois nada pior para a inteligência e o bom senso do que a cristalização do pensamento.

Um cordial abraço.

Do seu
Mateus Ferraz de Farias.

Um comentário:

Andressa Boll disse...

Ótimo texto sobre um grande cara. Beijos.